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ELOGIO DA ÁRVORE - 4

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 As árvores comunicam A percepção do senso comum é de que as árvores são algo de hirto, estático, sempre passível dum corte ou abate inconsiderado, insensível, mudo. Mas desenganem-se, as árvores falam, comunicam à sua maneira. Só muito recentemente nos apercebemos disso. É, aliás, um capítulo que muitos cientistas transformaram no seu terreno de pesquisa. * Francis Hallé no seu livrinho “La vie des arbres” (Ed. Bayard) narra a impressionante história das acácias e das gazelas koudou. O caso passa-se na África do Sul e foi estudado por Van Hooven da Universidade de Pretória e é ele que, parece, estar na origem à corrida deste novo campo de descoberta.  As gazelas comem as folhas das acácias, mas parcimoniosamente, não mais de 20 segundos, e passam à acácia seguinte, mas sempre contra o vento.  Que aconteceu? A árvore de maneira fulgurante segrega uma substância tóxica que torna as folhas bastante venenosas e ao mesmo tempo lança na atmosfera uma lufada de etileno que é pr...

Quando é que foi a última vez...

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...que entrou num restaurante - num rodízio ou num buffet, por exemplo - e comeu, comeu, comeu, comeu tanto quanto quis, comeu até não poder mais! … e isso lhe trouxe uma sensação genuinamente agradável? Quando é que foi a última vez que comprar um telemóvel ou par de sapatos novos lhe trouxe satisfação duradoura? Ou gratidão pelo facto de ter dinheiro para gastar onde bem entender? Quando é que foi a última vez que passar uma, duas, cinco horas na internet o(a) fez sentir-se conectado(a) com o mundo e as pessoas à sua volta de um modo real, concreto, tangível? Quanto tempo passou, depois de fazer cada uma destas coisas, até voltar a sentir-se insatisfeito? Até voltar a pensar no próximo gadget, noitada, doce no frigorífico, post de instagram, série da Netflix? E depois no outro a seguir? Quantos dos nossos filhos perderam o interesse nos seus presentes - desejados e implorados durante meses - duas semanas depois do Natal? Até que ponto estes actos de consumo não se assemelham um pouco...

ELOGIO DA ÁRVORE – 3

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 A árvore arquitecto do Planeta Recentemente a revista “Science et Avenir” (Maio 2022) publicou um dossiê intitulado “As árvores guardiãs da Terra”. Na verdade as árvores são mais do que isso. São também construtoras da superfície terrestre, moldando-a, refazendo-a. Foi, aliás, o que aconteceu há cerca de 60 milhões de anos. Há cerca de 140 milhões de anos aparecem as primeiras angiospérmicas (plantas com flores), mas somente após a catástrofe que vitimou os dinossauros e o seu mundo elas encontram o terreno livre para se desenvolverem. Há 66 milhões de anos começa uma imensa revolução: a expansão irresistível das plantas floríferas, até representar 80% das plantas existentes (90% das florestas tropicais actuais, com mais de metade da biodiversidade conhecida). O nosso planeta adquire cor, uma paleta com todos os tons, o verde e o cinzento deixam de ser as cores dominantes. Há 60 a 50 milhões de anos surgem plantas muito próximas das actuais e há cerca de 30 milhões as gramíneas co...

ELOGIO DA ÁRVORE - 2

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 As árvores e o aquecimento global Não será tarefa fácil travar as alterações climáticas em curso, caso haja vontade dos dirigentes políticos e do conjunto das comunidades humanas para o fazer, como é evidente. O que, francamente, não é muito perceptível, actualmente. No entanto, temos algumas armas ainda disponíveis: um decrescimento do consumo, em particular o energético, começando por utilizar massivamente não só as energias renováveis e com menor impacto ecológico, mas uma fonte de energia imensa e sempre desprezada, a “energia desperdiçada” a rodos, em especial nas denominadas sociedades desenvolvidas.  Outro aliado com grandes capacidades é a floresta que teremos de proteger a todo o custo, impedindo a destruição da existente e que já retém uma grande quantidade de carbono (um carvalho de 40 metros reterá de 5.000 a 7.500 Kg de CO2, diz-nos Catherine Lenne da Univ. de Clermont-Ferrand - ”Science et Avenir” de Maio 2022) e reconstituindo muitas mais. As árvores não armaze...

Como transformar o seu jardim num dissipador de carbono - BBC Future

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Tradução deste artigo . Desde manchas de natureza selvagem a plantas em decomposição, transformar o seu jardim num dissipador de carbono não se trata apenas de adicionar muitas árvores. Durante a Segunda Guerra Mundial, o ministério da agricultura do Reino Unido encorajou os jardineiros a "cavar para a vitória" e a cultivar os seus próprios vegetais para ajudar a alimentar o país. Os lotes surgiram em jardins privados e parques públicos - mesmo os relvados ao pé da Torre de Londres foram transformados em manchas de vegetais. Quase 100 anos mais tarde, o slogan "Cave para a Vitória" foi reorientado pela Royal Horticultural Society (RHS) do Reino Unido. A associação de jardinagem visava mobilizar o maior exército de jardinagem desde a Segunda Guerra Mundial para combater a maior ameaça do século XXI: as alterações climáticas. As ferramentas à sua disposição? Plantar árvores, utilizar água da chuva em vez de aspersores, e fazer adubo. Se cada um dos 30 milhões de jardi...

ELOGIO DA ÁRVORE – 1

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 Referindo-se ao sobreiro o (talvez) nosso mais eminente agrónomo, J. Vieira Natividade, escreve, com fundo de amargura, as seguintes palavras: “Nenhuma outra árvore dá mais exigindo tão pouco. Espoliada, talada, saqueada, obstina-se em viver, e não sabemos que mais admirar: se a resistência do sobreiro à ofensiva destruidora, se a cegueira ou a mísera impotência do homem que persiste em não aproveitar a fundo a prodigiosa vitalidade desta árvore, em não tirar todo o partido de tão notável capacidade de adaptação.”  Poderíamos dizer o mesmo de praticamente todas as árvores, até de muitas que os “negreiros” de árvores obrigaram a “emigrar”. Na realidade, esses seres magníficos (propomo-nos demonstrá-lo ao longo destas crónicas) sempre nos forneceram tudo e nada pedem em troca. Abrigam-nos, enquanto material de construção, alimentam-nos, dando-nos os seus frutos, fizeram, assim como as outras plantas, os solos aráveis e férteis de que usufruímos, fazem parte do nosso conforto qu...

BARREIRAS À CONECTIVIDADE FLUVIAL - EFEITOS SOBRE A SUSTENTABILIDADE DA VIDA

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Um estudo do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia prevê que cerca de metade do número de praias desapareça até ao final do século (132 000 km), caso as emissões de gases com efeito de estufa mantenham o ritmo actual. Em primeiro lugar serão afectadas as zonas costeiras baixas com uma densidade populacional de mais de 500 hab/km² (31% das praias mundiais). Este tipo de costa recobre 1/3 dos litorais do globo e tem um papel crucial no que diz respeito à protecção da interface terra/mar. Além de serem o melhor meio de protecção contra tempestades, o areal ajuda à dissipação da energia das ondas e as dunas são uma barreira natural entre o mar e o interior das terras, constituem também um ecossistema biodiverso insubstituível. A crescente ocupação dos territórios litorais e das bacias hidrográficas com construções, estão a destabilizar a orla costeira, cuja configuração depende de ciclos bem precisos que determinam uma evolução das praias muito sensível às perturbações que afect...

Alegações sobre as Questões Significativas da Água do 3º ciclo de planeamento hidrológico 2022/2027

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  Objectivo BIODIVERSIDADE - Sem Ecologia não há Biologia.  Por todo o mundo, a fragilização, fragmentação e destruição de ecossistemas biodiversos, põe em causa a Sustentabilidade da Vida no seu Todo.  Sem a salvaguarda de uma ecologia que garanta a continuidade dos ciclos vitais, assente na sustentação da Biodiversidade - diversidade de espécies, diversidade genética e diversidade de ecossistemas - a sobrevivência da espécie humana está posta em causa, pois ela depende de toda essa diversidade. Se comemos, bebemos e respiramos e semeamos, é porque a Biodiversidade que o planeta sustenta o permitem.  Podemos continuar a recusar aceitar isto, porque o planeta vai continuar. Com outras paisagens e outros seres vivos. E até, durante algum tempo, com muitas construções e muitas máquinas, sobretudo de fotografar. Alegações sobre as Questões Significativas da Água do 3º ciclo de planeamento hidrológico 2022/2027  [LINK PARA PDF]

As mentiras da energia nuclear

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A electricidade nuclear é limpa. Está muito longe de ser verdade. A exploração do urânio que dará o combustível necessário ao funcionamento das centrais é altamente poluidora. É certo que os reactores não produzem dióxido de carbono, mas a laboração normal lança constante e insidiosamente para a atmosfera produtos de baixa radioactividade. E em caso de acidente grave… Os sábios estudos publicitados a seu tempo clamavam que a probabilidade estatística de acidente era quase nula (uma em milhões). Tem-se visto… A electricidade nuclear é barata. Na realidade e feitas bem as contas o quilowatt nuclear tem um preço assombroso. Teremos de juntar o preço de construção, a segurança em torno das centrais, os custos do armazenamento das matérias radioactivas actual e futuro e   o desmantelamento (coisas que ninguém sabe fazer) e os estudos infindáveis para realizar essas operações. O custo deve é incalculável. Claro que tudo isto é subsidiado pelos Estados. Se se tiv...

Riscos da energia nuclear

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A construção de centrais nucleares para a produção eléctrica arranca em força nos anos setenta do século passado. Nunca, durante a sua história, o homem se lançou numa operação tão leviana, perigosa e seivada de mentiras. Este processo só se pode compreender se atentarmos que sem centrais não há bomba atómica e que para certos países os ditames da guerra fria falavam mais alto. Acrescente-se a ganância despertada por negócio tão chorudo e teremos instalada a paranóia nuclear. E os cidadãos? Foram informados e consultados? Muito raramente. Lá onde a questão foi referendada (caso da Itália) a construção de centrais foi impedida. Os cidadãos souberam com clareza o que estava em jogo. No entanto, em todo o mundo, centenas de centrais surgiram, criando um problema sem solução à vista e que põe em risco extensas áreas e milhares de milhões de pessoas. Quais os riscos?  A tão apregoada segurança é um logro: as centrais têm constantemente “pequenos acidentes” com cons...