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ELOGIO DA ÁRVORE – 6

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 O apego e admiração pelas árvores na Eco-Cartaxo não é de hoje, mas desde sempre. Como prova disso transcreve-se, praticamente na íntegra, um artigo, intitulado “Árvore minha amiga”, publicado no nosso boletim “A MÃE”, de Agosto de 2014. ---- O ecologista inglês Ted Goldsmith, falecido há uma dúzia de anos, no seu livro editado em português pelo Instituto Piaget sob o título “O desafio ecológico” (que aliás vivamente recomendamos) assinala “ Podeis medir a riqueza dum país, a sua verdadeira riqueza, pela dimensão da sua cobertura vegetal. ” A lista dos benefícios insubstituíveis prestados pelas florestas à vida no Planeta, e inerentemente à humanidade, é imensa. Alguém disse que “ as florestas são o pai e a mãe da chuva ”. Apenas esse facto seria suficiente para evitarmos sem descanso o abate das florestas. Mas elas fizeram, e fazem muito mais. Fabricaram os solos de cultivo, mantêm a sua fertilidade e impedem a sua erosão. Oferecem aos seres vivos o melhor habitat possível. Entre...

ELOGIO DA ÁRVORE - 5

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 A resiliência das árvores De todos os seres que habitam a Terra são as árvores, indiscutivelmente, que vivem mais tempo e que atingem maior dimensão. E mais, segundo Francis Hallé, “ são potencialmente imortais…Se colocadas nas melhores condições possíveis,…ao abrigo de todos os ataques, de todos os perigos, de todos os acontecimentos indesejáveis: verificareis que (as árvores) não morrem ”. Quantas das oliveiras, ainda bem vivas, da região mediterrânica não terão assistido ao desfile das hostes romanas? Todos os anos o máximo de longevidade é batido por uma árvore em qualquer local escondido do globo. O recorde, salvo actualização deficiente, vai nos cinco mil anos. As árvores não conhecem a senescência (envelhecimento) porque os seus genes continuam activos ao longo de toda a sua vida. Enquanto a actividade de muitos dos nossos vinte e seis mil genes diminui durante a nossa existência, nas árvores a actividade dos genes decresce entre a Primavera e o Inverno, mas quando os prime...

ELOGIO DA ÁRVORE - 4

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 As árvores comunicam A percepção do senso comum é de que as árvores são algo de hirto, estático, sempre passível dum corte ou abate inconsiderado, insensível, mudo. Mas desenganem-se, as árvores falam, comunicam à sua maneira. Só muito recentemente nos apercebemos disso. É, aliás, um capítulo que muitos cientistas transformaram no seu terreno de pesquisa. * Francis Hallé no seu livrinho “La vie des arbres” (Ed. Bayard) narra a impressionante história das acácias e das gazelas koudou. O caso passa-se na África do Sul e foi estudado por Van Hooven da Universidade de Pretória e é ele que, parece, estar na origem à corrida deste novo campo de descoberta.  As gazelas comem as folhas das acácias, mas parcimoniosamente, não mais de 20 segundos, e passam à acácia seguinte, mas sempre contra o vento.  Que aconteceu? A árvore de maneira fulgurante segrega uma substância tóxica que torna as folhas bastante venenosas e ao mesmo tempo lança na atmosfera uma lufada de etileno que é pr...

ELOGIO DA ÁRVORE – 3

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 A árvore arquitecto do Planeta Recentemente a revista “Science et Avenir” (Maio 2022) publicou um dossiê intitulado “As árvores guardiãs da Terra”. Na verdade as árvores são mais do que isso. São também construtoras da superfície terrestre, moldando-a, refazendo-a. Foi, aliás, o que aconteceu há cerca de 60 milhões de anos. Há cerca de 140 milhões de anos aparecem as primeiras angiospérmicas (plantas com flores), mas somente após a catástrofe que vitimou os dinossauros e o seu mundo elas encontram o terreno livre para se desenvolverem. Há 66 milhões de anos começa uma imensa revolução: a expansão irresistível das plantas floríferas, até representar 80% das plantas existentes (90% das florestas tropicais actuais, com mais de metade da biodiversidade conhecida). O nosso planeta adquire cor, uma paleta com todos os tons, o verde e o cinzento deixam de ser as cores dominantes. Há 60 a 50 milhões de anos surgem plantas muito próximas das actuais e há cerca de 30 milhões as gramíneas co...

ELOGIO DA ÁRVORE - 2

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 As árvores e o aquecimento global Não será tarefa fácil travar as alterações climáticas em curso, caso haja vontade dos dirigentes políticos e do conjunto das comunidades humanas para o fazer, como é evidente. O que, francamente, não é muito perceptível, actualmente. No entanto, temos algumas armas ainda disponíveis: um decrescimento do consumo, em particular o energético, começando por utilizar massivamente não só as energias renováveis e com menor impacto ecológico, mas uma fonte de energia imensa e sempre desprezada, a “energia desperdiçada” a rodos, em especial nas denominadas sociedades desenvolvidas.  Outro aliado com grandes capacidades é a floresta que teremos de proteger a todo o custo, impedindo a destruição da existente e que já retém uma grande quantidade de carbono (um carvalho de 40 metros reterá de 5.000 a 7.500 Kg de CO2, diz-nos Catherine Lenne da Univ. de Clermont-Ferrand - ”Science et Avenir” de Maio 2022) e reconstituindo muitas mais. As árvores não armaze...

ELOGIO DA ÁRVORE – 1

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 Referindo-se ao sobreiro o (talvez) nosso mais eminente agrónomo, J. Vieira Natividade, escreve, com fundo de amargura, as seguintes palavras: “Nenhuma outra árvore dá mais exigindo tão pouco. Espoliada, talada, saqueada, obstina-se em viver, e não sabemos que mais admirar: se a resistência do sobreiro à ofensiva destruidora, se a cegueira ou a mísera impotência do homem que persiste em não aproveitar a fundo a prodigiosa vitalidade desta árvore, em não tirar todo o partido de tão notável capacidade de adaptação.”  Poderíamos dizer o mesmo de praticamente todas as árvores, até de muitas que os “negreiros” de árvores obrigaram a “emigrar”. Na realidade, esses seres magníficos (propomo-nos demonstrá-lo ao longo destas crónicas) sempre nos forneceram tudo e nada pedem em troca. Abrigam-nos, enquanto material de construção, alimentam-nos, dando-nos os seus frutos, fizeram, assim como as outras plantas, os solos aráveis e férteis de que usufruímos, fazem parte do nosso conforto qu...