PARIS MOSTRA O CAMINHO — REVER AS LEIS URBANÍSTICAS À LUZ DO PRINCÍPIO BIOCLIMÁTICO (1/2)

Introdução 

É claro que Paris não é Portugal, nem é o Porto. São escalas muito diferentes. Mas, guardadas as proporções, a revisão de decisões urbanísticas devido à necessidade de as colocar à altura da urgência climática aplica-se perfeitamente às nossas cidades. É o princípio bioclimático — mais espaços verdes, menos betão — que deve comandar o novo urbanismo de que precisamos.

Não basta celebrar pactos sobre o clima centrados na redução de emissões carbónicas, ao mesmo tempo que se continuam a aprovar projetos de construção que passam pelo abate indiscriminado de todas ou quase todas as árvores existentes num dado terreno e/ou pela impermeabilização intensa de solos até agora vegetalizados.

Embora poucos entre os que dizem combater a crise climática o reconheçam ou mostrem tê-lo compreendido, tão ou mais importante que a redução de emissões é a absorção de CO2  graças às árvores adultas, desenvolvidas, ou mesmo supostamente «velhas». Abater essas árvores julgando que é possível qualquer «compensação» com a plantação de árvores novas (que, sim, devem ser plantadas, mas não em «substituição» das abatidas) não passa de um sofisma, ou, pior ainda, de uma fraude e de uma mistificação.

A nossa cidade, as nossas cidades, precisam urgentemente de seguir o exemplo de Paris referido no artigo «Paris revê de A a Z...» (fonte: jornal Le Monde, 22 de abril de 2022).


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No mesmo sentido aponta — e agora incidindo sobre a nossa realidade portuguesa e portuense — o artigo escrito pela Música e Cantora Capicua, nada e criada no Porto, publicado em crónica do Jornal de Notícias de 28 de junho de 2022, sob o título «Quinta do Pinheiro»

Um requiem ativo e enérgico por mais uma destruição no miolo da cidade consolidada e central — miolo cada vez mais árido, onde desde há muito vêm sendo destruídos ou mutilados os tradicionais quintais e logradouros (hortas, jardins, bosquetes) que foram ainda há alguns anos tão caraterísticos da cidade. Aliás, nos últimos oito anos, tem sido notória a aceleração desse processo de degradação. É preciso parar com a destruição abusiva (mesmo que «legalizada») da vegetação nas cidades.


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- MEL - Movimento Espaços Livres

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